terça-feira, maio 01, 2007

300 - Tudo não passa de um simulacro

Sem muito ânimo de escrever por aqui (meu trabalho de contar histórias que, por sinal, eu venho adorando tem me tirado tempo de freqüentar as salas de cinema), mas na tentativa de cumprir a obrigação de atualizar esse blog que anda meu chulé, deixo uma simples pergunta reflexiva sobre o BLOCKBUSTER - sim, com todas as letras maiscúlas e em todos os sentidos que o termo abrigar - 300 (de esparta).

De que adianta tanto recurso técnico, gráfico, digital e tantos outras blá blá blás usados de forma a obter a perfeição, se o resultado final é uma obra (se é que esta recriação pode ser chamada assim) vazia, desprovida de qualquer tipo de conteúdo? Em 300, todos os recursos digitais utilizados para recriar fielmente a graphic novel de Frank Miller não tem uma outra função se não aquela de servir de objeto puramente contemplativo. Nada ali tem o papel de significar algo. É a estética pela estética. Vazio.

PS: Quanto ao caráter ideológico, o meu medo é que o número de espectadores que 300 conseguiu abarcar se sensibilize com a idéia de que para ser forte e ter poder é preciso que os mais fracos (alguém se lembra das recomendações iniciais de como é construída uma sociedade que utiliza a "bravura" como mote ideológico central) ou o diferente (os persas - recriados de forma cliché a partir do figurino alegórico de Rodrigo Santoro que interpreta o deus-imperador Xerxes) sejam eliminados. Se houve uma discussão em torno das figuras de Xerxes e do espartano Leônidas, eu fico com aqueles que compararam a postura de Esparta com a dos Estados Unidos. Eu escrevi mais do que eu pensei que fosse escrever. Talvez o título do post já servisse de análise a provocar uma reflexão.


em busca da completude. as coisas, ultimamente, vem até a mim, assim: pela metade. eu não sei qual parte escolher. será que é impossível ficar com as duas?

domingo, abril 01, 2007

Notas sobre um escândalo

Enfim, estreou nas salas de cinema de Belo Horizonte, o filme Notas sobre um escândalo, com as indicadas ao Oscar deste ano, Cate Blanchett e Judi Dench.
O filme conta a história de Barbara Covett, uma professora solitária e dominadora, que controla com mão de ferro os alunos de uma decadente escola pública de Londres.
Ela vive apenas com seu gato, Portia, não tendo amigos nem parentes. Sua vida muda quando a escola em que trabalha contrata Sheba Hart como a nova professora de artes. Sheba parece ser a amiga que Barbara sempre desejou, atenciosa e leal. Porém, quando Sheba passa a se envolver com Steven Connolly, um de seus alunos mais jovens, esta amizade torna-se perigosa, pois Barbara ameaça revelar este para o marido dela, Richard, e para todos à sua volta.

Confirem o trailler abaixo. E prestem atenção na atmosfera de tensão e suspense que ele é capaz de provocar.



"Notas sobre um escândalo" está em cartaz no Usiminas Belas-Artes às 14:30h, 16:15h, 19:10h e 21:10h e no Usina Unibanco de Cinema às 15:30h, 17:30h, 19:30h e 21:30h.


Felco - Festival Latino Americano da Classe Obrera

Teve início na última sexta-feira, dia 30 de março, a edição nacional do "Festival Latino Americano da Classe Obrera", ou Felco.
A primeira edição do Felco aconteceu em 2004, na Argentina, quando um grupo de estudantes e militantes do Partido Obrero, chamado Ojo Obrero, fundou o festival. Aqui no Brasil, o festival fica em cartaz no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes até o dia 05 de abril, quinta-feira. Além dos filmes, o evento inclui debates. Tudo com entrada gratuita.
O Felco tem como objetivo promover um debate sobre a produção audiovisual da América Latina. Os filmes trazem em seus enredos questões sociais latinas, com
lutas e a realidade da classe trabalhadora através de seus oprimidos, sejam eles índios, negros, mulheres, homossexuais, desempregados, estudantes, etc.
Hoje, serão exibidos os filmes Cordel "TV Digital" e "O espetáculo democrático" dentro da "Mostra Mídia", às 17h. Logo em seguida, às 19h é a vez de "Dia de Festa" e finalizando a programação do dia, às 21:30h, será exibidos curtas do "Grupo Alavio"
. Os curtas abordam temas sobre o trabalho, contra o congelamento de salários, ensaios fotográficos, exemplos do controle dos meios de produção pelo trabalhador e reivindicações dos direitos da mulher.
A programação completa e a sinopse dos filmes você pode conferir no site do Palácio das Artes. As sessões ocorrem sempre às 17h, 19h e 21:30h. Os dabates serão nos dias 31 (já passou), 3 e 5 de abril após as sessões das 19h.
Para saber mais sobre o Felco é só clicar no título do post.

Deverei dar uma passada por lá hoje. Se eu for conto como foi.

sexta-feira, março 23, 2007

é o queira ou não queira

são as águas de março fechando o verão...

quarta-feira, março 21, 2007

Apatia

Premissa básica: Segundo o Aurélio (o tio do Chico Buarque, sabe? o cara que escreveu o dicionário mais pop), apatia pode ser entendida como 1. Insensibilidade; indiferença 2. Falta de energia; indolência, e que o indivíduo que é consumido por isso está um ser apático.

Então, é, mais ou menos, isso que estava acontecendo comigo nesses últimos dias.

Premissa secundária: Por que os professores de jornalismo - jornalismo mesmo, saca? onde você aprende aquelas técnicas ultrapassadas - são tão imbecis?

09:40 da manhã. Sala 110, do prédio 13 da PUC Minas. O curso, dispensa apresentações.
Aula de Jornalismo Econômico. O meu professor, que até então, vinha muito bem em suas aulas didáticas de como se escrever um bom texto jornalístico e todo aquele blablablá pseudo-teórico do que se deve fazer e o que não se deve fazer em uma notícia escrita.
Quando, ele começa a criticar a escolha de Marta Suplicy para o Ministério do Turismo. Tudo bem! Concordo, que ela não entende absolutamente do assunto e que a escolha dela para o cargo é permeada por um jogo de interesses. Fortaleceria a carreira política e ela poderia se candidatar ao governo de São Paulo nas próxima eleições.
Porém, foi chocante escutar o arremate do professor sobre o caso. Mas, também para o trabalhar com turismo, não precisa saber muita coisa. O QUEEEEEEEEEEEEE?
Pois, meu caro (futuro) colega! Saiba que antes de alguém entender de turismo, deve entender primeiro de geografia, história, geopolítica, política, cultura e ... Economia! Não é você que julga economia a área mais difícil e importante de um jornal? Então!
Se alguém discorda de mim, pegue a "Rolling Stone" nacional deste mês e leia a matéria sobre o Tibet, ou sobre o extremo sul do país e poderá concordar comigo.

Conclusão básica: Eu estou preocupada com minhas crises de apatia, por quê?

Conclusão Geral: Depois, ainda reclamam da teoria e da prática de comunicação andaram separadas. Onde eu vou achar forças para acordar às 05:50 da manhã para ouvir abobrinhas?
Já bastava a professora de rádio que me odeia!


PS: desculpem os excesso de sinceridade e desabafo, mas eu estava precisando.

sábado, março 17, 2007

Desfocando ...

Deixemos o cinema de lado - só por hoje - para uma reflexão sobre a Web, outro assunto que provoca em mim bastante interesse, afinal de contas, esse blog está inserido dentro dessa realidade.

Antes de você se tornar mais um dos absorvidos pela onda dos entusiastas - semelhantes a Pierre Levy , quando este tratou o termo Internet e Cibercultura - da Web 2.0, que chegam ao ápice do exagero ao publicar uma matéria com o título "Esqueça tudo o que você sabe de internet, chegou a Web 2.0", os artigos de Alex Hubner, “Web 2.0 é uma revolução? Então, me deixem criticar” (incluído no site especializado, “Webinsider”) e o de João Morgado Fernandes, “Os equívocos da admirável nova web” no Diário de Notícias de Portugal podem ser uma boa pedida de leitura.
A crítica de Alex Hubner desmistifica o fenômeno Web 2.0 que meio mundo alardeia como sendo a revolução da Internet. Embora, eu não partilhe de todas as suas opiniões, porém, concordo quando ele corta um pouco do barato de meio mundo que arrisca um apaixonado palpite sobre o assunto e se empolga com mudanças como essa. Hubner aponta o óbvio, que quase ninguém ainda percebeu. Só os profetas enxergam o óbvio? Todas as ferramentas que determinam o que é a Web 2.0 já existiam antes. Elas são fatores de uma evolução natural que ocorre com qualquer coisa, sobretudo quando se trata de objetos relativos à tecnologia. Por causa disso, ele se mostra contrário à necessidade que se tem de delimitar uma era para uma transformação que se mostra óbvia devido as próprias características da rede. As particularidades da Internet levaria ao que hoje convenciou-se a chamar de Web 2.0 de qualquer forma. “
Em minha opinião, os especialistas da Web 2.0 estão para a internet como os criacionistas estão para a ciência. Por mais óbvio que seja o fato das coisas simplesmente evoluírem, natural e continuamente, prevalecendo o que funciona em detrimento do que não funciona (tal como Darwin teorizou), os especialistas da Web 2.0 entendem que as coisas só existem depois de terem sido criadas, inventadas, nomeadas e, principalmente, propagandeadas.”
A crítica é embasada, recheada de argumentos que revelam realmente o conhecimento de Hubner sobre o assunto.

Já o artigo do português é menos interessante e mais apocalíptico do que o publicado no “Webinsider”. Além de apresentar uma crítica a novas formas de publicação, ele não aceita as mudanças de direitos autorais advindas a partir dela.
O interessante é que ele toca em um ponto que considero crucial: o que os usuários fazem (uso e gratificações) com o conteúdo e com as possibilidades do universo virtual. Segundo ele, a utilização é ainda limitada. Uma opinião da qual eu partilho e afirmo, como disse na apresentação de um trabalho da faculdade no qual tratava o tema. A Web 2.0 possibilita uma democratização dos elementos da cultura, porém, a utilização por parte dos usuários se revela ainda restrita "quase" meramente ao entretenimento.

Tudo bem que Morgado adotou uma postura ferrenha ao criticar o conteúdo virtual e o que as pessoas fazem deles (vocês perceberão se ler), mas o raciocínio é fundamental para chegarmos à conclusão de que quase nada do potencial transformador possibilitado pela Internet foi utilizado.

Que fique claro que eu não sou contra os instrumentos e as possibilidades que a tecnologia proporciona. Muito pelo contrário, eu me encaixo na lista dos que acreditam que essas ferramentas podem modificar muita coisa, sobretudo, a forma de fazer jornalismo, que, diga-se de passagem, está longe de atrair realmente o público. Mas isso já é um outro assunto. Qualquer dia eu posso me esquecer mais uma vez dos focos cinematográficos que pretendem esse blog para me expor melhor.
O que eu não concordo é com posturas românticas, acríticas e tão entusiasmadas que não percebem que tudo se trata de um processo evolutivo normal. Ou será que existe gente que ainda acredita em geração espontânea?


PS 1: A revista que publicou o título esdrúxulo citado no início do post foi a tão falada "Info Exame", da editora Abril.

PS 2: Meu trabalho refere-se ao YouTube (exemplo da chamado Web 2.0) sob a perspectiva daquilo que Walter Benjamin chamou de democratização da produção cultural ao estudar o cinema. O estudo é o foco do brilhante ensaio "A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica".
Nele, o teórico precursor daquilo que se convencionou a chamar de "Escola de Frankfurt" defende que advento do capitalismo e das conseqüentes ferramentas tecnológicas produziram alterações na produção, consumo e divulgação da cultura.

PS 3: Qualquer dia desses, eu prometo que publico o meu trabalho aqui.

segunda-feira, março 05, 2007

Little Children - Trailler



Fiquei devendo ontem

 
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