quarta-feira, novembro 19, 2008

Cegueira

Acho que vou voltar a postar por aqui.

E pra começar, que tal darem uma olhadinha na crítica que escrevi sobre Cegueira. Eu sei que o assunto já está esgotado, mas prometo que saí do lugar-comum dos comentários que já fizerem sobre o filme.

Quem tiver curiosidade, clique aqui.

Em tempo, o blog em que a crítica foi postada pertence à disciplina Jornalismo Cultural, que cursei esse semestre. Vale a pena dar uma olhada nas outras matérias. Tem várias coisas interessantes por lá... Minha turma tem até surpreendido.

sexta-feira, novembro 30, 2007

O Informante

Em uma dada cena, nos minutos finais dos 160min de duração do excelente filme O Informante (Michael Mann, EUA, 1999), o cientista Jeffrey Wigand, interpretado por Russel Crowe em seu melhor papel, diz para o jornalista Lowell Bergman (Al Pacino): “O mundo precisa de pessoas como você”. Realmente. Se em um grupo de dez jornalistas, pelo menos quatro fosse como Bergman, certamente, o jornalismo seria melhor e cumpriria a sua função social. Tudo isso, porque além de um jornalismo investigativo bem-feito, ele ainda se preocupa com a segurança de sua fonte e é capaz de brigar com os interesses coorporativos de uma empresa jornalística em favor da ética e do dever social necessários à produção jornalística.

Lowell Bergman é produtor do 60 minutos, um programa de entrevistas exibido pela CBS. Ele produziu matérias de todo o tipo, inclusive, uma sobre o grupo terrorista Hezbollah. Certo dia, após receber um dossiê sobre incêndios provocados por cigarros, procura o cientista químico Jeffrey Wigand, recém demitido da indústria de cigarro “Brown and Willianson”, para ajudá-lo na análise do material. A relação entre os dois acaba fazendo com que Bergman descubra que Wigand é uma fonte capaz de divulgar informações importantes contra a produção de cigarro. Wigand acabara de ser demitido por não concordar com a potencialização da nicotina na fabricação do cigarro, atitude que aumentaria também as chances do fumante desenvolver câncer de pulmão.

A partir daí, o espectador tem uma aula jornalista investigativo em que relevantes questões éticas são colocadas em discussão. Ele deve convencer Wigand a contar o que sabe. O grande embate, porém, é que o ex-empregado da indústria assinou um contrato de confidencialidade que o proibia de pronunciar qualquer coisa referente ao que ele sabia sobre o produto, sob pena de perder todo o seguro-desemprego e o plano de saúde que garantiria o tratamento de sua filha, portadora de asma. Wigand e sua família são constantemente ameaçados pela “Brown and Willianson”. Devido a isso, os dois adotam uma postura reticente. Por medo, Wigand não quer falar e Bergman recomenda que ele só fale se realmente estiver seguro.

A situação, no entanto, muda. Os dois criam uma forte relação de amizade, o que é questionável já que segundo as normas do jornalismo, o repórter deve se manter neutro em relação à fonte, para que esta última não interfira no resultado da matéria. Entretanto, logo se verá que essa relação será imprescindível a história. Bergman, diante de uma boa matéria para o programa e invadido por uma sede de justiça comum a alguns jornalistas, arranja uma forma para Wigand denunciar a empresa, enquanto este, após criar uma relação de confiança com Bergman decide falar, tendo em vista que ele poderia se livrar da culpa de se considerar responsável pelos milhões de pessoas que fumam aquele cigarro. Se não houvesse a segurança em relação a Bergman, Wigand, certamente, não falaria.

Com o auxílio dos diretores da CBS, que viam a oportunidade da repercussão da matéria e altos índices de audiência, Bergman consegue proteção oficial a Wigand. O programa, enfim, é gravado e Wigand denuncia em sessão no tribunal a “Brown and Willianson”. Entretanto, dias antes do programa ir ao ar, interesses empresariais obrigam o 60 minutos a não divulgar a entrevista com “O Informante”. A CBS estava prestes a ser comprada por uma outra empresa, e se a entrevista fosse ao ar, a “Brown and Willianson” entraria na justiça, alegando que o que Bergman fez foi uma interferência ilícita, abrigando Wigand a quebrar contrato. Tal fato além de mostrar a realidade, ressalta o embate entre jornalismo e interesses econômicos da empresa jornalística, ou seja, os interesses coorporativos podem acabar interferindo na credibilidade e compromisso social necessários ao jornalismo. O apresentador do programa, o prepotente Mike Wallace (Christopher Plummer), por medo de perder o emprego, compartilha da decisão da empresa, ao contrário de Bergman que fará de tudo para levar o programa ao ar. A matéria acaba, primeiramente, indo ao ar sem mostrar o rosto de Wigand.

Em um gesto louvável que demonstra sua ética, Bergman procura a equipe o “The New York Times” e relata os motivos do corte. Ele, no entanto, quebra o sigilo de informações da fonte ao transmitir à equipe do “Times” o conteúdo da entrevista. Diante, dos objetivos disso e da omissão da CBS em preservar seus interesses comerciais, a atitude de Bergman acaba, porém, se tornando irrelevante e torna-se desnecessária qualquer discussão eminente sobre o assunto. Como o “Times” dá destaque de capa à notícia, a diretoria da CBS decide pela transmissão na íntegra da entrevista. O programa ganha em audiência de todas as emissoras e junto com todo esse filme surge a grande indagação se existem jornalistas que capazes de arriscar suas vidas para garantir o acesso do público às informações de interesses públicos controversos e que não utilizem suas fontes apenas como objeto, mas antes de tudo, respeitem-nas.

segunda-feira, novembro 19, 2007

São Paulo S/A

São Paulo, década de 60. O Brasil vive um momento de euforia desenvolvimentista provocado pela vinda de indústrias automobilísticas em meados dos anos 50. Em meio a esse cenário, vive, ou "sobrevive" o jovem Carlos, intepretado pelo ator Walmor Chagas. É esse o ponto de partida de São Paulo S/A (1965), do cineasta paulista Luís Sérgio Person. Carlos é exemplo de um rapaz típico da classe média paulista da década de 60. Trabalha em uma indústria automobílistica, é casado e tem um filho. Seria uma pessoa feliz, se o filme não se tratasse - justamente - dos dramas internos dos protagonista. Ao contrário de um filme que aborde o exterior dos personagens, São Paulo S/A é um filme intimista. L.S Person preferiu criar um filme baseado nos conflitos internos do protagonista e assim fazer uma crítica ao conformismo da classe média paulista da época, que procurava a todo se encaixar aos padrões trazidos com a modernidade recém-chegada ao país a partir do desenvolvimento industrial. Ter uma família sólida, bem constituída, um bom emprego capaz de satisfazer os anseios consumistas firmavam-se como os desejos primordiais do indivíduo. A exemplo daquilo que o filósofo Peter Pál Pelbart em seu texto Vida Nuna, vida besta, uma vida chama de vida besta, na qual o homem está disposto a fazer de tudo para se encaixar em certos padrôes hegemônicos, e passa-se a se controlar, até se enquadrar naquele padrão dito como o certo, Carlos apenas sobrevive, é um simples produto do meio no qual está inserido. Ele nunca amou sua esposa Luciana (Eva Wilma) e se casou com ela por insistência. Ele também vive sufocado pelo trabalho. Enfim, Carlos sobrevive, porque nunca viveu de verdade, não foi corajoso o suficiente para romper com a imposição de uma sociedade tradicional e fazer aquilo que realmente gostaria. Dizem que L.S depois afirmou que Carlos na verdade era homossexual, daí um dos motivos de seu aprisionamento.


Para criar esse drama psicológico, onde a exterioridade parece exercer uma certa pressão no âmago do personagem, o diretor rompe com a ordem cronológica linear, padrão criado por Griffith e que foi absorvido pelo cinema americano, e monta um filme baseado no tempo psicológico do protagonista. Dessa forma, se é a "montagem" que cria a realidade fílmica", como afirmou Lúcia Santaella em Por uma epistemologia das imagens, ao escrever sobre a linguagem própria dos dispositivos tecnológico, no qual o cinema está inserido, o diretor optou por criar uma narrativa que retrasse os conflitos internos de Carlos. Os acontecimentos são mostrados ao espectador de acordo com as lembranças do protagonista e entremeados por seus devaneios e dramas. Ao final, São Paulo S/A acaba fazendo uma crítica à uma sociedade em que os indivíduos abdicam de seus verdadeiros desejos internos, para se mostrar perante aos outros.

quarta-feira, setembro 26, 2007

INDIE 2007

Finalmente, saiu...


Depois de dois meses de espera e acreditar que a falta de patrocínio impediria que houvesse um dos festivais mais bacanas relacionados ao cinema, enfim, saiu a programação completa do Festival Indie 2007 - Mostra de Cinema Mundial. O evento acontecerá entre os dias 5 e 11 de outubro no Cineclube Humberto Mauro, aquele cinam bacanudo, que promoveu em setembro os cursos de cinema, e no pequeno, porém muito agradável, Cineclube Usina Unibanco. A abertura oficial acontecerá no dia 4 de outubro, com o filme Mutum, o primeiro longa da cineasta brasileira Sandra Kogut (não me perguntem o horário, porque não foi divulgado no site do evento). Serão exibidos 129 filmes, de 23 países, divididos em sete mostras: a badalada Mostra Mundial, Indie Brasil, Cinema de Garagem, Música do Underground, Dark Matinée, O mundo Sang Soo, Indie Retrô. Ainda não tive tempo de olhar a programação com mais calma, mas assim que conseguir, postarei minhas impressões aqui.

Para quem quiser olhar a programação, basta clicar no título do post.
Uma boa dica para conferir dicas, críticas dos filmes e novidades sobre o Festival, basta entrar no Blog Indie.

ps.: eu juro que, a partir de hoje, vou encontrar um tempo na minha agenda lotada para continuar publicando neste blog.

domingo, agosto 19, 2007

. todos os homens do presidente

O filme “Todos os homens do presidente” (Alan J. Pakula, EUA, 1976) retrata um dos acontecimentos mais marcantes da imprensa mundial: o escândalo de Watergate. Tudo começou, no ano de 1972, na cidade de Washington. Um grupo de cinco homens, a princípio, considerados ladrões, invade a sede do partido dos Democratas, no edifício Watergate. Dois jornalistas do “Washington Post”, Bob Woodward, vivido por Robert Redford, e Carl Bernstein, interpretado pelo brilhante Dustin Hoffman, são designados para cobrir o acontecido. O caso, que no início parecia um assalto sem maiores conseqüências, toma uma grande dimensão quando Woodward, ao chegar em casa, recebe um bilhete anônimo dando algumas coordenadas para que um possível contato fosse estabelecido. O jornalista, bastante interessado no assunto, procura a figura misteriosa, conhecida até os dias de hoje, sob a alcunha de “Garganta Profunda”, e o filme transforma-se em um processo de investigação, retratando a trajetória vivida pelos dois repórteres. Tem-se aí um exemplo de jornalismo investigativo, no qual algumas posturas são louváveis e outras, no mínimo, questionáveis e que transformam o filme, adaptado de um livro escrito anos mais tarde pelos próprios jornalistas, em uma brilhante aula para aqueles que se interessam em jornalismo, política e ética.
Depois de um árduo processo de pesquisa que durou pouco mais de dois anos, os dois repórteres conseguem provar e revelam à sociedade americana o que realmente havia ocorrido: os arrombadores estavam a serviço do Partido Republicano, tentando colher informações confidenciais da campanha de George McGovern, do partido dos Democratas.
A princípio, a direção do jornal, sintetizada no filme pela figura de Been Bradlee (Jason Robards), diretor-geral do Post na época, demonstra-se reticente e faz com que outras matérias fossem priorizadas na edição do jornal, que não àquela ligada a Watergate. Quantas vezes em uma reunião para o fechamento do jornal, Bradlee determinou que o assunto não ganhasse destaque nas páginas principais do veículo?! “Será que os outros jornais, que pararam de se preocupar com o caso, estão, todos errados e apenas nós estamos certos?” Era essa a pergunta que ele se fazia, tendo em vista o fato do restante da mídia norte-americana ignorar o acontecido e não dar a devida importância ao tema. O famoso “The New York Times”, praticamente, não disse nada a respeito do tema, tratando o assunto como um simples roubo. Essa postura talvez encontre justificativa no receio de, mais tarde, se mostrarem equivocados e perderem a credibilidade perante o público. O descaso da mídia em relação ao fato acabou favorecendo o presidente Nixon, que nas eleições de 1972, foi reeleito. Tal postura demonstra um outro tema recorrente em “Todos os homens do presidente”: o agendamento da mídia em retratar, ou não retratar os fatos pode influenciar o público.
O empenho demonstrado, tanto por Bernstein como por Woodward, em tentar desvendar o que realmente aconteceu pode servir como modelo para qualquer aspirante a jornalista que deseja um dia se aventurar pelo sedutor quebra-cabeça proposto pelo jornalismo investigativo.
Outro exemplo na imprensa mundial, no caso novamente a americana, que se compara ao anseio dos repórteres do Post é o dos jornalistas do San Francisco Chronicle, Robert Graysmith e Paul Avery. Os dois, com a ajuda do detetive David Toschi, tentam desvendar o mistério do serial killer, apelidado de zodíaco, que no final da década de 70, aterrorizava a Califórnia, enviando cartas anônimas para a imprensa local, dando detalhes do assassinato de três pessoas. Apesar da investigação minuciosa e por um bom jornalismo investigativo bem praticado, utilizando muita dedução e indução, nenhum deles conseguiu desvendar a identidade do assassino, que permanece como um dos maiores mistérios dos EUA. A história foi transformada em filme, pelo diretor David Fincher, em Zodiac.
Voltando ao caso Watergate, algumas atitudes dos dois repórteres se mostram um pouco questionáveis, a principal delas talvez seja a forma utilizada por eles para fazer a fonte falar: visita à casa dos envolvidos, tentativa de aproximação, psicologia infantil, atitudes que se comparam àquelas utilizadas por Truman Capote ao investigar o assassinato ocorrido no Kansas. O “blefe” também foi uma das ações recorridas pelos repórteres do Post. Nas cenas finais do filme, um dos dois jornalistas, liga para uma das pessoas envolvidas e, para instigá-la a falar, demonstra já saber de tudo.
Uma atitude digna de controvérsia no meio jornalístico, é a não citação das fontes. Como forma de proteger os envolvidos na pesquisa, tanto Bernstein quanto Woodward se negam a citar seus nomes. Tal atitude é capaz de colocar em cheque a veracidade daquilo que é relatado por eles. Na imprensa atual, é defendida a idéia de que as fontes devem ser citadas, como forma de comprovar aquilo que foi divulgado. "Se Watergate ocorresse agora, os jornalistas seriam presos por não revelarem suas fontes e não poderiam publicar a história", defende o colunista da revista "Newsweek", Jonathan Alter.
Ao final da investigação, quando Bernstein e Woodward conseguem provar definitivamente o envolvimento do partido dos Republicanos, Bradlee se rende e concede todo o espaço, no Post, ao assunto. A investigação culmina com a renúncia de Richard Nixon ao governo, no dia 09 de agosto de 1976.

Além do exemplo concreto e verídico de jornalismo investigativo e da influência da mídia, o filme também traz à tona uma outra questão importante: os artifícios utilizados por um partido para derrotar o adversário. Os artifícios utilizados ficam evidentes quando os dois jornalistas conversam com um dos “cabeças” da campanha de Nixon e responsável pela tentativa de manchar os Democratas, o método se assemelha com aquele utilizado, atualmente, até mesmo pela política nacional. Pode servir também como um espelho do que está à espera daqueles que almejam enfrentar a rotina a dos veículos de comunicação diária.




sexta-feira, julho 06, 2007

Baixio das Bestas.

Voltemos às resenhas...

Ontem assisti Baixio das Bestas. Achei um filme agressivo, chocante, sujo... Em alguns momentos, grotesco. Entretanto, é um filme realista. A degradação humana retratada ali de forma crua, infelizmente, existe. Embora eu tenha minhas críticas ao fascínio de nossos cineastas pelas mazelas sociais existentes nas entranhas de nosso querido e amado Brasil e a conseqüente banalização da pobreza, gostei do filme. Os personagens, em seu nível mais extremo de sordidez, me fascinaram. Talvez, pela abordagem correta de Cláudio Assis em optar pela neutralidade e ,em nenhum momento, julgar alguém pelas suas atitudes, na maioria das vezes, cruel. O filme, segundo longa do diretor pernambucano - o primeiro foi Amarelo Manga - é o retrato mais transparente da degeneração humana. De como as pessoas podem revelar o seu lado mais sujo, mais podre, mais agressivo, mais cruel. Um grupo de playboys que vivem em uma orgia permanente, preconceituosos, que acabam com prostitutas, um velho rude, grosso, que explora a neta, que no final das contas, é sua própria filha, um homem religioso, uma casa de prostituição, onde a inveja parece reinar absoluta entre as moças que lá oferecem os seus prazeres a ninguém, por que nem mesmo existem homens que estejam dispostos a “come-las”, uma indústria canavieira decadente. A pobreza revelada sob o seu âmbito mais cruel.
É um retrato de como as pessoas acabam junto com o ambiente na qual estão inseridas. De como a ausência de oportunidades pode levar as pessoas a cometerem os piores atos humanamente possíveis. Ou seriam impossíveis?! De como aqueles que teriam condições de mudar algo se fascinam pelo podre e se apodrecem mais ainda. Em meio a esse ambiente, um homem cava incansavelmente uma vala. Será isso o signo da degradação absoluta, do pessimismo em relação àquela comunidade? O símbolo de que aquilo já chegou ao fim?

Baixio das Bestas é assim: um filme que dá uma pontada no peito por você saber que tudo aquilo existe e o pior, por saber que o homem é capaz de revelar seu lado mais podre, mais cruel simplesmente para tentar sobreviver. Um tanto pessimista, é verdade, mas quem vai dizer que isso não é um dos lados da natureza humana?

Nossa, eu acho que estou meio mórbida ultimamente.

terça-feira, julho 03, 2007

dói...

mas às vezes, a gente precisa ser franca. No final, dá um alívio...




 
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