sexta-feira, novembro 28, 2008

Exposição de Michel Gondry estimula a imaginação do público

O mais recente filme do cultuado diretor Michel Gondry - o adjetivo me soa tão cliché nesse caso - se transformou em exposição no início do ano na Galeria Deitch Projects, em Nova York. Isso talvez não seja uma grande novidade para os amantes do cinema underground. Porém, o próprio Gondry trazer a exposição para o Brasil na estréia do filme é uma grande novidade e oportunidade para o público brasileiro.
A partir da próxima terça-feira, dia 2 de dezembro, até o dia 11 de janeiro aqueles que visitarem o Museu da Imagem e do Som, na cidade de São Paulo, terão a oportunidade de darem asas à sua imaginação e criarem seus próprios filmes, interagindo com os 13 cenários criados pelo diretor para o filme.
Para aqueles que não sabem, o filme exibido recentemente no Festival de Cinema do Rio e na Mostra de São Paulo, conta a história de dois amigos, vividos por Jack Black, o rei do humor facial, e Mos Def. Os dois trabalham em uma locadora e, acidentalmente, apagam as fitas do lugar. Por causa disso, eles resolvem "refazer" todos os filmes de forma caseira. E as cópias se transformam em grande sucesso no bairro. E esse parece ser o ponto de partida da exposição promovida pelo diretor.



Porém, muito mais que uma experiência cinematográfica, a exposição pretende se destacar pelo seu caráter coletivo. Segundo o diretor, em entrevista concedida por telefone à UOL Cinema, o objetivo é fazer com que as pessoas aprendem a contribuir para uma produção criativa. Gondry completa que "a idéia é acompanhar como as pessoas se relacionam como atores e audiência. Elas devem produzir e se reconhecer como intérpretes de sua própria obra", explica.
Para quem se interessar, é preciso fazer uma inscrição pela internet (mesmo que você não tenha como participar é legal dar uma navegada no site. Vale a pena pelo design). Além disso, os participantes irão participar de um workshop, realizados por monitores treinados pelo diretor, e seguir algumas etapas bastante semelhantes ao processo de produção de um filme. Em primeiro lugar, deverão escolher um gênero, depois um título, para, enfim, se dedicarem à produção em si.
Assim como no filme, os produtos estarão disponíveis para "locação" em uma loja improvisada em um dos cenários.

É nessas horas que dá muita vontade de fazer as malas e me mudar pra Sampa.

O que?

Exposição Be kind Rewind

Quando?

Abertura para convidados nesta sexta-feira; abertura para o público na terça. Ter. a sáb. das 12h às 21h; dom., das 11h às 20h; até 11/1.

Onde?

Museu da Imagem e do Som

Endereço: Av. Europa, 158, tel. 0/xx/11/2117-4777

E o mais legal: o evento é gratuito.

Obs: Se alguém que estiver lendo este post, participar da exposição, poderia colaborar, enviando um texto, relatando como foi a evento.


segunda-feira, novembro 24, 2008

Forum Doc 2008

A partir dessa sexta-feira acontece, em Belo Horizonte, a 12ª edição do forum.doc. Como em todas as edições, o festival terá como principal local de exibição o Palácio das Artes.

A programação deste ano terá três mostras principais. A mostra de maior destaque é a Melanésia, que reúne filmes produzidos na década de 70 por diversos realizadores que filmaram os processos de independência dos povos da ilha de Papua-Nova Guiné, situada na Oceania e colonizada pela Austrália. Além disso, o evento terá também uma Mostra LatinoAmericana, com obras precursoras do documentário e uma retrospectiva do realizador mineiro Carlos Alberto Prates Corrêa, diretor de filmes como Cabaré Mineiro (1980) e Crioulo Doido (1971).
O Fórum de Debates e a Mostra Competitiva Nacional e Internacional completam a programação do festival.

Programação

27/11 QUINTA-FEIRA

20h . SESSÃO DE ABERTURA . MOSTRA CARLOS PRATES

Crioulo Doido . 63'
Comentada por Geraldo Veloso, Paulo José e Tavinho Moura

28/11 SEXTA-FEIRA

15h . COMPETITIVA NACIONAL

Putuxop . 13'
Fernando Maxacali, João Duro Maxacali, Marilton Maxacali e Eduardo Rossi

Estrada Real da cachaça . 100'
Pedro Urano

17h . MOSTRA MELANÉSIA

Dani Houses . 16'
Karl Heider

Dani Potatoes . 19'
Karl Heider

Dead Birds . 83'
Roberto Gardner

19h . CINE-HOMENAGEM

Festejos Populares em Mogi das Cruzes . 5'
Claude e Dina Lévi-Strauss

Festa do Divino Espírito Santo . 13'
Claude e Dina Lévi-Strauss

Cerimônias Funerárias entre os Bororo . 8'
Claude e Dina Lévi-Strauss

20h . MOSTRA MELANÉSIA

First Contact . 54'
Bob Connolly e Robin Anderson

21h . MOSTRA LATINOAMÉRICA

Japón . 132'
Carlos Reygadas

29/11 SÁBADO

15h . MOSTRA LATINOAMÉRICA

Hasta cierto punto . 88'
Tomás Gutierrez Alea

16h30 . MOSTRA MELANÉSIA

Gina's Wedding . 52'
Martin Maden

17h30 . COMPETITIVA NACIONAL

Tomba Homem . 42'
Gibi Cardoso

L.A.P.A. . 75'
Cavi Borges e Emílio Domingos

19h30 . SESSÃO ESPECIAL

Benzedeiras de Minas . 26'
Andrea Tonacci

O Tigre e a Gazela . 17'
Aloysio Raulino
Comentada pelos realizadores

21h . SESSÃO ESPECIAL

Acácio . 88'
Marília Rocha

30/11 DOMINGO

15h . SESSÃO FILMES DE QUINTAL

Nos olhos de Mariquinha . 80'
Cláudia Mesquita e Júnia Torres

17h . COMPETITIVA NACIONAL

Orixás, uma tradição viva . 45'
Maoro da Rocha Pitta

Mokoi Tekoá, Petei Jeguatá (Duas Aldeias, um caminho) . 65'
Germano Beñites, Ariel Ortega, e Jorge Morinico

19h . MOSTRA CARLOS PRATES

Bem atrás da câmera . 20'
Minas Texas . 71'

21h . MOSTRA MELANÉSIA

Joe Leahy's Neighbours . 90'
Bob Connolly e Robin Anderson

22h30 . SESSÃO ESPECIAL

O Homem do Corpo Fechado . 90'
Shubert Magalhães

01/12 SEGUNDA-FEIRA

15h . MOSTRA LATINOAMÉRICA

El camino hacia la muerte del viejo reales . 90'
Gerardo Vallejo

17h . COMPETITIVA NACIONAL

Canoa de um Pau Roxo . 11'
Gabriela Piccolo e Alberto Greciano

Yvy Katu - Terra Sagrada . 20'
Eduardo Duwe

Redemoinho-poema . 85'
Gabriel Sanna e Lúcia Castello Branco

19h . MOSTRA MELANÉSIA

Stolat . 21'
Martin Maden, Pengau Nenga and Bike Johnston

Sinmia: House Bilas Bilong One, Meri Bilong Baruya . 47'
Kumain Kolain (aka Koumain Nunguya or Kumain Nugia)

Crater Mountain Story . 62'
Martin Maden

21h . MOSTRA LATINOAMÉRICA

Rodrigo D no futuro . 90'
Víctor Gaviria

02/12 TERÇA-FEIRA

15h . MOSTRA MELANÉSIA

The Red Bowmen . 58'
Chris Owen

Betelnut Bisnis . 52'
Chris Owen

17h . MOSTRA LATINOAMÉRICA

Tire Dié . 33'
Fernando Birri

Hamaca Paraguaya . 78'
Paz Encina

19h . COMPETITIVA NACIONAL

Kantuta . 36'
Rodrigo Leite

Favela On Blast . 77'
Leandro HBL e Wesley Pentz

21h . MOSTRA AMÉRICA LATINA

Agarrando Pueblo . 27'
Luis Ospina

MESA REDONDA CINEMA LATINOAMÉRICA
Com: Luis Ospina, José Carlos Avellar, Bruno Vasconcelos

03/12 QUARTA-FEIRA

15h . COMPETITIVA INTERNACIONAL

Nacional 206 . 58'
Catarina Alves Costa

L'initiation . 63'
François-Xavier Drouet

17h . MOSTRA MELANÉSIA

Land-Divers of Melanesia . 34'
Kal Muller (em colaboração com Robert Gardner)

Bridewealth for a Godess . 72'
Chris Owen

19h . COMPETITIVA INTERNACIONAL

Un Tigre de Papel . 114'
Luis Ospina

21h . MOSTRA CARLOS PRATES

O Milagre de Lourdes . 11'
Perdida . 77'

22h30 . MOSTRA LATINOAMÉRICA

De Cierta Manera . 79'
Sara Gomez

04/12 QUINTA-FEIRA

15h . MOSTRA CARLOS PRATES

Castelar e Nelson Dantas no País dos Generais . 73'

16h30 . MOSTRA COMPETITIVA INTERNACIONAL

Mafrouza - Oh la nuit! . 147'
Emmanuelle Demoris

19h . MOSTRA MELANÉSIA

Black Harvest . 90'
Bob Connolly e Robin Anderson

20h30 . MOSTRA MELANÉSIA

Taking Pictures . 59'
Les McLaren and Annie Stiven

MESA REDONDA: Cinema e Ritual na Papua-Nova Guiné
Com: Martin Maden, David Rogers, Renato Stutzman, Paulo Maia

05/12 SEXTA-FEIRA

15h . SESSÃO ESPECIAL

Un voyage en Israël . 92'
Ginette Lavigne

17h . MOSTRA MELANÉSIA

Tukana . 120'
Chris Owen e Albert Toro

19h . LANÇAMENTO Ver e Poder

Lettre a une Jeune Fille KanaK . 17'
Jean-Louis Comolli
Comentário: César Guimarães, Ruben Caixeta, Oswaldo Teixeira, Augustin Tugny

20h . LANÇAMENTO: Devires vol.5, nº1 - Dossiê Pedro Costa

Tarrafal . 17'
Pedro Costa
Comentário: Jair Fonseca

21h . COMPETITIVA INTERNACIONAL

Music Partisans . 52'
Miroslaw Dembinski

Toujours là - Toujours Emerillon . 78'
Perle Møhl

06/12 SÁBADO

14h . SESSÃO FILMES DE QUINTAL

Os Olhos d’água de Nossa Senhora do Rosário . 45'
Pedro Guimarães

15h . COMPETITIVA INTERNACIONAL

La sombra de Don Roberto . 27'
François-Xavier Drouet

Le Roi ne meurt jamais . 73'
Pierre Lamarque

17h . MOSTRA CARLOS PRATES

Noites do sertão . 87'
Comentário: Cláudia Mesquita e Jair Fonseca

19h . MOSTRA CARLOS PRATES

Cabaret mineiro . 68'
Sessão comentada por Jean Claude Bernadet

21h . COMPETITIVA INTERNACIONAL

Friends, Fools, Family . 59'
Berit Madsen, Anne Mette Jørgensen

La Voie Peule (entre tradition et modernité) . 52'
Sylvain Vesco

07/12 DOMINGO

15h . SESSÃO FILMES DE QUINTAL

Casca do Chão . 48'
Glaysson Caxixó e Jaciara Caxixó

16h . MOSTRA LATINOAMÉRICA

Ukamau . 72'
Jorge Sanjinez

17h30 . MOSTRA LATINOAMÉRICA

Uaka . 90'
Paula Gaitán
Sessão comentada pela realizadora

19h30 . SESSÃO ESPECIAL

Deixa que eu Falo . 80'
Eduardo Escorel
Sessão comentada pelo realizador

21h . OFICINA DE REALIZADORES

Documentário realizado durante a oficina . 15'

21h30 . SESSÃO DE ENCERRAMENTO

História do Brasil
Glauber Rocha

O quê?
forum.doc 2008 - 12° Festival do Filme Documentário e Etnográfico

Quando?
27 de novembro a 7 de dezembro

Onde?
Cine Humberto Mauro - Palácio das Artes
Endereço: Avenida Afonso Pena 1.537, Centro, CEP: 30130-004 - Belo Horizonte - MG - Brasil - Tel: (31) 3236-7400



quinta-feira, novembro 20, 2008

. art mov

Meio em cima da hora, mas ainda dá tempo.

A partir de 6° feira, dia 21 de novembro, até o dia 25 ocorre em Belo Horizonte o Art Mov. Para aqueles que não sabem, o festival está em sua terceira edição e tem como objetivo a criação de um espaço de divulgação, produção e reflexão crítica (o crítica é por conta do evento) da "cultura da mobilidade", tão característica da contemporaineidade.

A programação deste ano está imperdível e, além das mostras tradicionais, o evento contará com debates com um monte de gente legal. Uma das discussões que me despertaram atenção foi Realidades mistas: convergências esperadas x convergências implantadas, que terá a preseça de André Lemos, Martha Carrer, Laura Beloff e Ju Row Far.
Quem estiver interessado basta conferir a programação no site do Art Mov.

O Art Mov acontece entre os dias 21 e 25 novembro, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte e na Praça de Santa Tereza.

...

Em tempo, para quem mora em São Paulo, o festival também ocorrerá na capital entre os dias 27 de novembro e 7 de dezembro.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Cegueira

Acho que vou voltar a postar por aqui.

E pra começar, que tal darem uma olhadinha na crítica que escrevi sobre Cegueira. Eu sei que o assunto já está esgotado, mas prometo que saí do lugar-comum dos comentários que já fizerem sobre o filme.

Quem tiver curiosidade, clique aqui.

Em tempo, o blog em que a crítica foi postada pertence à disciplina Jornalismo Cultural, que cursei esse semestre. Vale a pena dar uma olhada nas outras matérias. Tem várias coisas interessantes por lá... Minha turma tem até surpreendido.

sexta-feira, novembro 30, 2007

O Informante

Em uma dada cena, nos minutos finais dos 160min de duração do excelente filme O Informante (Michael Mann, EUA, 1999), o cientista Jeffrey Wigand, interpretado por Russel Crowe em seu melhor papel, diz para o jornalista Lowell Bergman (Al Pacino): “O mundo precisa de pessoas como você”. Realmente. Se em um grupo de dez jornalistas, pelo menos quatro fosse como Bergman, certamente, o jornalismo seria melhor e cumpriria a sua função social. Tudo isso, porque além de um jornalismo investigativo bem-feito, ele ainda se preocupa com a segurança de sua fonte e é capaz de brigar com os interesses coorporativos de uma empresa jornalística em favor da ética e do dever social necessários à produção jornalística.

Lowell Bergman é produtor do 60 minutos, um programa de entrevistas exibido pela CBS. Ele produziu matérias de todo o tipo, inclusive, uma sobre o grupo terrorista Hezbollah. Certo dia, após receber um dossiê sobre incêndios provocados por cigarros, procura o cientista químico Jeffrey Wigand, recém demitido da indústria de cigarro “Brown and Willianson”, para ajudá-lo na análise do material. A relação entre os dois acaba fazendo com que Bergman descubra que Wigand é uma fonte capaz de divulgar informações importantes contra a produção de cigarro. Wigand acabara de ser demitido por não concordar com a potencialização da nicotina na fabricação do cigarro, atitude que aumentaria também as chances do fumante desenvolver câncer de pulmão.

A partir daí, o espectador tem uma aula jornalista investigativo em que relevantes questões éticas são colocadas em discussão. Ele deve convencer Wigand a contar o que sabe. O grande embate, porém, é que o ex-empregado da indústria assinou um contrato de confidencialidade que o proibia de pronunciar qualquer coisa referente ao que ele sabia sobre o produto, sob pena de perder todo o seguro-desemprego e o plano de saúde que garantiria o tratamento de sua filha, portadora de asma. Wigand e sua família são constantemente ameaçados pela “Brown and Willianson”. Devido a isso, os dois adotam uma postura reticente. Por medo, Wigand não quer falar e Bergman recomenda que ele só fale se realmente estiver seguro.

A situação, no entanto, muda. Os dois criam uma forte relação de amizade, o que é questionável já que segundo as normas do jornalismo, o repórter deve se manter neutro em relação à fonte, para que esta última não interfira no resultado da matéria. Entretanto, logo se verá que essa relação será imprescindível a história. Bergman, diante de uma boa matéria para o programa e invadido por uma sede de justiça comum a alguns jornalistas, arranja uma forma para Wigand denunciar a empresa, enquanto este, após criar uma relação de confiança com Bergman decide falar, tendo em vista que ele poderia se livrar da culpa de se considerar responsável pelos milhões de pessoas que fumam aquele cigarro. Se não houvesse a segurança em relação a Bergman, Wigand, certamente, não falaria.

Com o auxílio dos diretores da CBS, que viam a oportunidade da repercussão da matéria e altos índices de audiência, Bergman consegue proteção oficial a Wigand. O programa, enfim, é gravado e Wigand denuncia em sessão no tribunal a “Brown and Willianson”. Entretanto, dias antes do programa ir ao ar, interesses empresariais obrigam o 60 minutos a não divulgar a entrevista com “O Informante”. A CBS estava prestes a ser comprada por uma outra empresa, e se a entrevista fosse ao ar, a “Brown and Willianson” entraria na justiça, alegando que o que Bergman fez foi uma interferência ilícita, abrigando Wigand a quebrar contrato. Tal fato além de mostrar a realidade, ressalta o embate entre jornalismo e interesses econômicos da empresa jornalística, ou seja, os interesses coorporativos podem acabar interferindo na credibilidade e compromisso social necessários ao jornalismo. O apresentador do programa, o prepotente Mike Wallace (Christopher Plummer), por medo de perder o emprego, compartilha da decisão da empresa, ao contrário de Bergman que fará de tudo para levar o programa ao ar. A matéria acaba, primeiramente, indo ao ar sem mostrar o rosto de Wigand.

Em um gesto louvável que demonstra sua ética, Bergman procura a equipe o “The New York Times” e relata os motivos do corte. Ele, no entanto, quebra o sigilo de informações da fonte ao transmitir à equipe do “Times” o conteúdo da entrevista. Diante, dos objetivos disso e da omissão da CBS em preservar seus interesses comerciais, a atitude de Bergman acaba, porém, se tornando irrelevante e torna-se desnecessária qualquer discussão eminente sobre o assunto. Como o “Times” dá destaque de capa à notícia, a diretoria da CBS decide pela transmissão na íntegra da entrevista. O programa ganha em audiência de todas as emissoras e junto com todo esse filme surge a grande indagação se existem jornalistas que capazes de arriscar suas vidas para garantir o acesso do público às informações de interesses públicos controversos e que não utilizem suas fontes apenas como objeto, mas antes de tudo, respeitem-nas.

segunda-feira, novembro 19, 2007

São Paulo S/A

São Paulo, década de 60. O Brasil vive um momento de euforia desenvolvimentista provocado pela vinda de indústrias automobilísticas em meados dos anos 50. Em meio a esse cenário, vive, ou "sobrevive" o jovem Carlos, intepretado pelo ator Walmor Chagas. É esse o ponto de partida de São Paulo S/A (1965), do cineasta paulista Luís Sérgio Person. Carlos é exemplo de um rapaz típico da classe média paulista da década de 60. Trabalha em uma indústria automobílistica, é casado e tem um filho. Seria uma pessoa feliz, se o filme não se tratasse - justamente - dos dramas internos dos protagonista. Ao contrário de um filme que aborde o exterior dos personagens, São Paulo S/A é um filme intimista. L.S Person preferiu criar um filme baseado nos conflitos internos do protagonista e assim fazer uma crítica ao conformismo da classe média paulista da época, que procurava a todo se encaixar aos padrões trazidos com a modernidade recém-chegada ao país a partir do desenvolvimento industrial. Ter uma família sólida, bem constituída, um bom emprego capaz de satisfazer os anseios consumistas firmavam-se como os desejos primordiais do indivíduo. A exemplo daquilo que o filósofo Peter Pál Pelbart em seu texto Vida Nuna, vida besta, uma vida chama de vida besta, na qual o homem está disposto a fazer de tudo para se encaixar em certos padrôes hegemônicos, e passa-se a se controlar, até se enquadrar naquele padrão dito como o certo, Carlos apenas sobrevive, é um simples produto do meio no qual está inserido. Ele nunca amou sua esposa Luciana (Eva Wilma) e se casou com ela por insistência. Ele também vive sufocado pelo trabalho. Enfim, Carlos sobrevive, porque nunca viveu de verdade, não foi corajoso o suficiente para romper com a imposição de uma sociedade tradicional e fazer aquilo que realmente gostaria. Dizem que L.S depois afirmou que Carlos na verdade era homossexual, daí um dos motivos de seu aprisionamento.


Para criar esse drama psicológico, onde a exterioridade parece exercer uma certa pressão no âmago do personagem, o diretor rompe com a ordem cronológica linear, padrão criado por Griffith e que foi absorvido pelo cinema americano, e monta um filme baseado no tempo psicológico do protagonista. Dessa forma, se é a "montagem" que cria a realidade fílmica", como afirmou Lúcia Santaella em Por uma epistemologia das imagens, ao escrever sobre a linguagem própria dos dispositivos tecnológico, no qual o cinema está inserido, o diretor optou por criar uma narrativa que retrasse os conflitos internos de Carlos. Os acontecimentos são mostrados ao espectador de acordo com as lembranças do protagonista e entremeados por seus devaneios e dramas. Ao final, São Paulo S/A acaba fazendo uma crítica à uma sociedade em que os indivíduos abdicam de seus verdadeiros desejos internos, para se mostrar perante aos outros.

quarta-feira, setembro 26, 2007

INDIE 2007

Finalmente, saiu...


Depois de dois meses de espera e acreditar que a falta de patrocínio impediria que houvesse um dos festivais mais bacanas relacionados ao cinema, enfim, saiu a programação completa do Festival Indie 2007 - Mostra de Cinema Mundial. O evento acontecerá entre os dias 5 e 11 de outubro no Cineclube Humberto Mauro, aquele cinam bacanudo, que promoveu em setembro os cursos de cinema, e no pequeno, porém muito agradável, Cineclube Usina Unibanco. A abertura oficial acontecerá no dia 4 de outubro, com o filme Mutum, o primeiro longa da cineasta brasileira Sandra Kogut (não me perguntem o horário, porque não foi divulgado no site do evento). Serão exibidos 129 filmes, de 23 países, divididos em sete mostras: a badalada Mostra Mundial, Indie Brasil, Cinema de Garagem, Música do Underground, Dark Matinée, O mundo Sang Soo, Indie Retrô. Ainda não tive tempo de olhar a programação com mais calma, mas assim que conseguir, postarei minhas impressões aqui.

Para quem quiser olhar a programação, basta clicar no título do post.
Uma boa dica para conferir dicas, críticas dos filmes e novidades sobre o Festival, basta entrar no Blog Indie.

ps.: eu juro que, a partir de hoje, vou encontrar um tempo na minha agenda lotada para continuar publicando neste blog.

 
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