quinta-feira, outubro 26, 2006

Deu a louca na chapeuzinho...

Juca Kfouri na Puc


Parece que enfim a Puc Minas vai trazer no seminário dos cursos de Publicidade e Propaganda e Jornalismo alguém que de fato desperta interesse.
Sim, o convidado de hoje (eu juro que eu tentei postar isso ontem) é o comentarista esportivo Juca Kfouri. Não digo que ele é jornalista porque o cara é formado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, mas poderia muito bem chama-lo assim, uma vez que ele exerce a profissão há muito tempo e é muito melhor do que muita gente famosa aí e que é formada. Para não dizer que essas coisas de diploma não importam muito, mas isso é uma longa discussão que não cabe aqui.
Muito mais que uma simples análise tática, técnica ou estratégica dos jogos de futebol, Juca Kfouri faz uma crítica ao contexto do momento no esporte brasileiro. Além disso, ele é capaz de falar- e bem!- sobre qualquer outro assunto que não seja esportes.
Na ocasião da eleição do Lula em 2002 vi um comentário dele ainda quando apresentava o “Bola na rede” na Rede Tv que fiquei de cara. Não é nem um pouco departementalizado. Sujeito amplo, cabeça muito aberta. E eu que já era fã dele desde a época de fanatismo com futebol, fiquei mais fã ainda.
Hoje, na palestra a se realizar às 10h40 minutos no Teatro da Puc Minas Coração Eucarístico, ele debaterá o tema “Desafios para e ética e qualidade da informação na cobertura do futebol brasileiro” . Logo após o seminário Juca Kfouri responderá algumas questões dos estudantes do quarto período de jornalismo, e eu pretendo estar lá.

E eu babo ovo mesmo.

Também é convidado do seminário de hoje, o cineasta Cao Hamburger. Diretor do filme e da série infantil “Castelo Rá-tim-bum o diretor irá debater e mostrará cenas de seu último filme e segundo longa “O ano em que meus pais saíram de férias”.

É pra fechar bem os seminários deste ano. E eu reconheço, a Puc desta vez, mandou bem.


quinta-feira, outubro 12, 2006

"Uma canção é pra acender o sol, no coração da pessoa"

O pop rock do Brasil pode ser legal, o Skank prova isso...

Foto Daniel Castelo Branco (retirada do site do Programa Alto Falante)

Pegue uma banda que comemora 15 anos de carreira, oito cds lançados e que acaba de lançar o nono. Depois, coloque-a para tocar onde tudo começou, em sua cidade de origem, Belo Horizonte. Junte em um espaço abafado os fãs de todas as idades que essa mesma banda foi capaz de reunir ao logo de todo esse tempo.
O resultado? Pouco mais de duas horas de show no qual todos os antigos e futuros sucessos tocados conseguiram (como sempre!) animar o público apesar daquele calor que insistia ser insuportável. Dessa maneira, pode ser definida a apresentação da banda mineira Skank, hoje, dia 08 de outubro, no Chevrolet Hall para lançar seu último cd, intitulado “Carrossel”. E eu, estava lá.
O motivo? O Skank talvez tenha sido a única banda de pop rock que além de se desenvolver musicalmente conseguiu progredir sem se descaracterizar. A banda liderada pelo vocalista Samuel Rosa começou com um estilo meio reggae que aos poucos foi substituído por um pop rock que atingiu seu amadurecimento total. O Skank pode ser resumido hoje como uma banda que apesar das experimentações iniciadas a partir de “Maquinarama” não faz a menor questão de negar suas influências do pop. Isso garante à banda uma autenticidade tal, que mesmo aqueles antigos fãs que há muito deixaram a fase pop, continuem admirando-a.
Se mesmo iniciando o show com três músicas do último cd e até então desconhecidas da maioria do público, a banda conseguiu animar as pessoas ali presentes, nas duas seguintes: Uma partida de futebol e Esmola, eles conseguiram levar aqueles adolescentes entre 14 e 17 anos ao delírio. Até os pais que acompanhavam os filhos cantaram e pularam junto. E o suor insistindo em escorrer. E eu que nunca tinha visto Samuel Rosa falar em um show, neste, eu o ouvi dizer que estava devendo muito para aquele público fiel que sempre esgotou os ingressos dos shows da banda na capital mineira.
O show prosseguia. A banda, alternava antigos sucessos com as músicas novas. Futuros sucessos? Não sei, talvez. E quem ainda não as tinha escutado pôde comprovar que as músicas de “Carrossel” mesclam características da primeira com as da segunda fase. Nem tão psicodélico e experimental como o anterior, “Cosmotron”, talvez o melhor, porém mais relacionado ao gosto da maior parte dos atuais fãs, o público jovem, entre 14 e 17 anos.
O bis? Extenso. Seis músicas.Entre elas a repetição do single do último cd “Uma canção é pra isso”, mais músicas novas, um comentário “Vocês querem mais então vão perder os gols no Fantástico” disse Samuel e o público teve “Garota Nacional” e para finalizar “Saidera”. Bem óbvio, aliás.
O defeito? Cantar “Tanto” e defini-la como a música que tem a cara de BH. Pô Samuel e o que dizer de “Tão Seu”?

Resumindo: uma das poucas bandas capazes de agradar a todas as faixas etárias. Sem distinção.


Ficha Técnica

Quem? Skank
Onde? Chevrolet Hall
Quando? 08 de outubro, 19h. (mas só começou mesmo às 19h40min)
Público? 5.ooo mil pessoas
Para? Lançamento do cd "Carrossel"

segunda-feira, outubro 02, 2006

Por enquanto...

Eleições 2006

Também o que poderíamos esperar de um eleitorado que elege como deputado mais votado o Paulo Maluf?

Sim, o Paulo Maluf aquele mesmo que esteve preso, algemado, junto com o filho no segundo semestre do ano passado foi eleito no estado de São Paulo o deputado federal mais votado com 739.821 votos. 3,63% dos votos válidos.

Ah, e Fernando Collor de Melo também foi eleito senador. É mole?

( incoformada com as eleições presidenciais irem para o segundo turno.)

sexta-feira, setembro 15, 2006

Inconformismo

Duas atitudes que considero inconcebíveis para profissionais e estudantes da área de jornalismo:

Defender a revista "Veja"
Votar em Aécio Neves

domingo, setembro 10, 2006

Literatura


...O Rei de Havana

A impressão inicial que tive do livro “O Rei de Havana” do escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez foi de uma história que parecia pecar por seu exagero. Excesso de sordidez e brutalidade logo na abertura ao narrar a morte repugnante da mãe e do irmão do personagem do anti-herói Reynaldo ou o Rei de Havana. Excesso de sexo, excesso de miséria, excesso de passagens que descreviam a decadência da capital cubana. Enfim, uma podridão só. Pedro Gutiérrez parecia aos poucos, querer destruir a imagem que fazia de Cuba. E eu fazia um esforço gigantesco para não querer acreditar naquilo tudo. Preferia ser defensora da tese de que apesar da falta de liberdade imposta pelo regime ditatorial de Fidel Castro, as pessoas ainda viviam com um mínimo de dignidade e todas as crianças e adolescentes se não já eram, estavam sendo alfabetizados. Mas não, o olhar observador do narrador conseguiu desmistificar essa crença.
O mesmo ocorreu com a história em si. Primeiro, achei simples demais o enfoque dado pela narrativa: um homem que utiliza de suas vantagens sexuais como forma de sobrevivência. Tudo isso no meio de muito álcool e muita sujeira, tanto física como moral. Bastante semelhante aos contos de um dos expoentes da geração beat: Charles Bukowski. Porém, o desenrolar da história revela um protagonista que representa toda a degradação moral, principalmente, e física dos cubanos, sendo ela, decorrente da miséria e desamparo social que essas pessoas são obrigadas a viver. Desprovido de qualquer oportunidade na vida, sem educação e conhecimentos de moral assistimos, aos poucos, a deterioração de Reynaldo que acaba culminando em dos finais mais tristes e chocantes de tudo aquilo que a literatura já produziu. Carregada de intertextualidade, a frase capaz de sintetizar melhor toda essa desagregação, seja ela de origem física ou moral é esta: “Não vinham do pó e ao pó regressariam. Não. Vinham da merda. E na merda continuariam”.
O talento de Pedro Juan Gutiérrez se revela não somente pelo caráter político com forte apelo de denúncia social que o livro mostra, mas também por uma linguagem descritiva e simples conseguida graças a sua habilidade como observador. Isso acaba tornando “O rei de havana” um livro de fácil alcance. E se alguém o classificar como pornográfico demais, que fique claro que isso cumpre uma função, além de representar uma característica própria dos escritores latinos.
Ao final, o livro ganha por não ser um relato feito a partir de visões deturpadas sejam elas de jornalistas, americanos ou autoridades cubanas, mas de alguém que convive com a realidade. Se exagerado ou não, é aquilo que mais se aproxima da realidade.

O Rei de Havana - escrito por Pedro Juan Gutiérrez
Companhia das Letras
224 páginas
Cuba/1998

Sobre o escritor

O escritor cubano Pedro Juan Guitérrez nasceu em Matanzas em 1950. Já vendeu sorvete, já vendeu jornal. Trabalhou de cortador de cana-de-açucar, de técnico em construção, de desenhista técnico, de instrutor de caiaque e natação e foi jornalista durante 26 anos. Ufa... Atualmente é pintor, escultor e escritor. Escreveu "Trilogia suja de Havana" (1998) considerado seu melhor livro, "Animal tropical" (2000), "O insaciável homem-aranha" (2002), "Carne de cão" (2003), "Nosso GG em Havana" (2004) e o último de 2005, "O ninho da serpente: Memórias do filho do sorveteiro".

segunda-feira, setembro 04, 2006

Eu sei falar de política também

...Considerações

Nilmário Miranda, disse aos estudantes de Comunicação Social da Puc Minas (universidade em que estudo), em seminário realizado no segundo semestre do ano passado que a culpa do mensalão residia no fato do presidente Lula, ter sido obrigado a fazer alianças com partidos de ideologias diferentes daquelas do Partido dos Trabalhadores para assim, conseguir aprovação das propostas no congresso. Nilmário, propunha mudança criticando a tradição personalista que impera no país. Os votos são concedidos por simpatia a determinado candidato apenas, e não por partilharem da mesma ideologia de um partido. Segundo o ex-Secretário dos Direitos Humanos e candidato ao governo de Minas, esse fator é o principal causador da prostituição dos partidos políticos. Ele também apresentava argumentos que defediam a reforma política.
Porém, Nilmário parece ter se esquecido dessas suas palavras. Hoje, ele apoia e é apoiado pelo ex-governador de Minas Gerais e candidato ao senado pelo PMDB, Newton Cardoso. Seria necessário explicar a minha indiganção?

Que fique claro, que eu não me encaixo dentro dos 80% de aprovação do candidato Aécio Neves.

sábado, setembro 02, 2006

...Free Zone


Leila, Rebeca e Hanna em uma das cenas mais bonitas do filme: o momento de trégua

Uma judia (Hana Laszlo). Uma palestina (Hiam Abbass). Uma americana (Natalie Portman). Essas três mulheres cumprem em “Free Zone” uma função simbólica. Suas atitudes representam as atitudes de cada um dos países envolvidos no conflito no Oriente Médio. Sem demonstrar qualquer fanatismo religioso, o israelense Amos Gitai (Alila), faz um filme limpo e neutro, no qual não defende nenhum lado. O diretor opta por apenas mostrar, através dessas três personagens femininas o papel que Israel, Palestina e os Estados Unidos tem na tensão no Oriente Médio.
Hanna é uma taxista judia, é alemã, mas vive em Israel. Decidida a cobrar uma dívida de seu marido ela cruza a fronteira e segue para a Free Zone. Situada na Jordânia, a Free Zone, é uma espécie de zona franca, onde israelenses, sírios, palestinos e egípcios circulam livremente a fim de estabelecer suas relações comerciais. A mulher leva consigo, Rebeca, uma americana um pouco confusa, que acabara de romper um relacionamento. Lá, as duas encontram com a palestina Leila, a mulher do americano que deve dinheiro ao marido de Hanna.

A partir desse encontro, as características de cada um dos povos envolvidos são reveladas. Hanna, como um bom judeu sabe bem como cobrar uma dívida. Insistente e ameaçadora como qualquer israelense, ela não dá trégua a ponderada palestina que sabe dar uma boa desculpa para não paga-la. Situação bastante semelhante à relação conflituosa estabelecida entre árabes e judeus causada pela disputa pela região da palestina. Enquanto, as duas simbolizam cada um dos dois envolvidos diretos do conflito, Rebeca, representa o papel dos americanos. Apesar de não ser judia, pois apenas seu pai é judeu (sim, os judeus são matriarcais) ela se sensibiliza à causa judaica. Talvez, Gitai tenha querido mostrar o papel dos americanos ao colocar Rebeca seguindo (e apoiando) Hanna e em alguns momentos tentando interferir na situação.
Sob uma outra ótica, a personagem Rebeca, ao seguir Hanna e acompanhar o pequeno conflito entre a judia e a palestina, pode cumprir uma relação íntima com aquele que o assiste. Ela representa qualquer um de nós, espectadores do conflito. As duas mulheres parecem defender suas condições a americana que as ouve atentamente.
Apesar do filme tentar representar uma postura mais otimista, pelo próprio lugar onde a história se desenvolve, e em alguns momentos pela discussão tender para o acordo, como os dois povos já ensaiaram em raríssimas vezes, isso não passa de uma mera ilusão. O filme poderia muito bem ter terminado no momento em que as três seguem juntas -e cantando- no mesmo carro em busca do tal americano.

Porém, Amos Gitai preferiu ser realista e termina-lo um momento depois desse prenúncio de paz. Leila e Hanna iniciam uma discussão interminável dentro do veículo, enquanto Rebeca as abandona, evidenciando mais uma vez a ambigüidade da personagem. A fuga pode ser uma estratégia de manutenção da guerra: interesse dos americanos, ou representa a fadiga que pelo menos meio mundo sente em relação ao conflito. Cabe ao espectador julgar. É um filme fatalista, que mostra que apesar de existir momentos de brecha, os conflitos, são intermináveis.

Free Zone - Dirigido por Amos Gitai
Com
Hana Laszlo, Hiam Abbass, Natalie Portman, Carmem Maura
Duração 90 min
Israel/ França/ Espanha/ Bélgica 2005

 
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